Hoje chove muito na minha terra. O Rio Paraíba dá sinais de descontentamento. Parece que vai sair do leito, espalhar suas lágrimas pela vizinhança. O dia acontence... entre um pé d 'agua e outro.
Em Lavrinhas, a únca rua circunda o Rio. Costumo dizer que a cidade ilhou o Rio. Minha família sempre foi moradora do início da Rua perto da ponte de ferro. O povo denominou moradores nessa área... moram lá em baixo. Quem mora perto da ponte de cimento...mora lá em cima.
Minha mãe destinava aos filhos alguma compra no armazém do Senhor Paulo Machado (Lavrinhas teve um armazém...) e recomendava... um pé lá e outro aqui!
Quando morei e trabalhei noutra região, distante de Lavrinhas quase seiscentos quilômetros, aprendi outros costumes, bem diferentes... Mas, inicialmente, minha inocência ou falta de perspicácia não prestou atenção nas diferenças na linguagem. No cabelereiro me referi ao acabamento no corte do cabelo... o pé do cabelo. Foi um riso só!
Lavrinhas é o paradgma de um vale...rio cercado por morros...uns altos, outros colinas, um complexo e lindo relevo. A cidade está instalada no pé dos morros.
E o pé... o que é?
A sustentação do corpo humano pesado pelas dores do mundo, pelas andanças nos ares da esperança, pelo equilíbrio da criançada sobre os trilhos da ferrovia?...
Em qualquer cenário... o pé é o amparo da poesia!